Economia

18/09/2009 13h34


Zoneamento da cana “asfixia” setor sucroalcooleiro de MT, reclama Famato

A proposta de zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar, lançada ontem (17) pelo governo federal, proíbe a construção de novas usinas e a expansão do plantio em qualquer área da Amazônia, do Pantanal, da Bacia do Alto Paraguai ou em vegetação nativa de outros biomas. Essas áreas, somadas àquelas onde o plantio já não é permitido, como as unidades de conservação e terras indígenas, fazem com que fique proibido o plantio da cana em 92,5% do território brasileiro. Número que está tirando o sono dos produtores rurais mato-grossenses.

As proibições previstas pelo zoneamento estabelecem que estarão aptos ao plantio da cana-de-açúcar 64 milhões de hectares. Considerando os novos critérios, a expansão da cana-de-açúcar poderá ocorrer em 7,5% do território nacional. Atualmente, o cultivo de cana ocupa uma área de 8,89 milhões de hectares, o que representa menos de 1% do território nacional.

Na avaliação do governo, o zoneamento tornará a produção de etanol ainda mais eficiente, estimulando o comprovado benefício ambiental do uso do biocombustível produzido com a cana-de-açúcar.Uma visão bem diferente da dos sucroalcooleiros de Mato Grosso, o estado mais afetado pela proposta do governo Lula.

A Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) é totalmente contrária ao zoneamento, afirmando que a proposta vai “asfixiar” o segmento. “Com esta medida o governo está amputando o setor sucroalcooleiro no estado de Mato Grosso. Um setor que produz 850 milhões de litros de álcool/ano, que gera 20 mil empregos, renda e que move a economia de muitos municípios, estará condenado a morrer por asfixia”, disse o vice presidente da Famato, Normando Corral.

Corral explica que 115 dos 141 municípios mato-grossenses estão dentro das bacias do Alto Paraguai e Alto Araguaia, e muitos deles também fazem parte do bioma amazônico. “É óbvio que a restrição vai tornar inviável todos os projetos de usinas que estão para ser instaladas em Mato Grosso”, opina.

Segundo o vice-presidente da Famato, 80% do plantio de cana-de-açúcar no estado está na bacia do Alto Paraguai, sem que ao longo de 25 anos tenha ocorrido qualquer incidente ambiental. “A instalação de novas usinas na região não implica em novos desmatamentos, porque a cana iria ocupar áreas de pastagens, em terras impróprias para o plantio de grãos”, garante.

O zoneamento será encaminhado ao Congresso Nacional em forma de projeto de lei, o que garante uma última cartada dos produtores. “Agora vamos tentar reverter forte atuação junto à bancada federal”, disse. Corral também ressalta que será o momento do Governo do Estado, sob Blairo Maggi, se empenhar para garantir os interesses econômicos do estado.

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