Artigo

12/03/2010 15h42


Uma Devassa em Brasília

REPÓRTER NA HISTÓRIA

"Devassa", o comercial da Schincariol estrelando a patricinha Paris Hilton foi censurado e saiu do ar em TV, Rádio, mídia impressa, internet, outdoors. Iniciativa de um grupo de consumidores que se sentiu ofendido pela propaganda. A Secretaria Especial de Políticas para Mulheres da presidência da República e o CONAR, órgão privado, de auto-regulamentação de publicidade, justificam: “esse tipo de anúncio tenta vender a mulher como se fosse um produto é discriminatório e sexista.com apelo exagerado à sensualidade explícita e sugerida, e poderia estimular o consumo excessivo de álcool”.

No carnaval, entre bundas, seios, jojotas, à mostra para nós, e o mundo, e alto consumo de bebida, os censores diziam “mulher não é objeto sexual”. A campanha com fotos de J.R.Duran e trilha sonora do filme O homem de braço de ouro com Frank Sinatra custou R$ 100 milhões e faturou, em dois dias, mais de R$ 10. Circulam noticias de que em fim de governo com gente guardando gelo em gaveta “salgadinhos foram servidos para que a Devassa saísse do ar e outras cervejas descessem redondo”.

Paris Hilton: Nasceu milionária. Os Hiltons são conhecidos pelos hotéis, entre os quais, o The Waldorf
Astoria/NY no salão nobre do qual por dezessete anos consecutivos organizei o mais famoso carnaval fora do Brasil. Ela é o que os publicitários da Madison Avenue chamam de Branding Girl, aquela que circula com brinco, vestido, saia, anel, pulseira, sapato, batom, penteado, perfume, calcinha, colar, de grife, e fatura muito por isso. É mais que simples merchandising, é um outdoor circulante de alto nível. Ganha sete milhões de dólares com desfiles, performances, factóides. Só abre a boca quando tem certeza que vai faturar. Presa bebendo uma latinha de cerveja ao volante (não era Schin) passou vinte e três dias varrendo chão, inimaginável na vida real. Faz o tipo “James Dean”, juventude rebelde. Ganhou na justiça 400 mil dólares de seu ex-namorado, o canalha que escondeu câmeras filmando ambos na cama. Com o filme na internet, ela repicou: “já que estou na chuva, vou me molhar bem”. Editou o DVD One night in Paris, um sucesso entre os “piratas” do mundo todo. No Irã, jovens foram presos por causa do vídeo. Madonna, dizem, ganhou um milhão de dólares por um minuto no camarote da AmBev-Brahma-Skol. Quanto Paris Hilton ganhou pela Devassa ninguém disse.

Devassa: Não é uma palavra comumente usada. Com o comercial, com famosos no camarote da Schin,
e a proibição, a expressão ta virando moda. Exemplo citado de devassa é Valéria Messalina. Com quinze anos  casou com o imperador Claudio na Roma onde senador, general e tribuno faziam sexo com garotos, garotas, soldados, escravos, mulheres nobres e plebéias. As bacanais de Calígula transando com a própria irmã, as surubas de Antonio que dividiu Cleópatra com Julio Cesar que gostava de rapazes, e Nero tarado pela própria mãe foram devassidões bem maiores que as de Messalina cujo pecado era gostar de transar com muitos homens. Mas não dava de graça. Seu recorde de vinte e cinco homens numa noite ha muito foi vencido. O mais recente foi o de uma brasileira que na Hungria transou 400 vezes com 110 homens. Enamorada por um belo centurião, mesmo imperatriz, Messalina casou-se entre as meretrizes em cerimônia hippie. Um tribuno moralista a assassinou.

É óbvio que Nilcéia Freire, secretária de Lula para os direitos da mulher, vê novelas da TV Globo e programas “humorísticos” da Record. A cena da foto entrou em milhões de lares brasileiros com filhas e netinhos ao redor de mães e avós na sexta, 12/2/ com Claudia, a Cacau, sendo enlambuzada no BBB10. Censurou por que a Paris Hilton é norte-americana? Imoral é a Globo receber milhões com os telefonemas dados ao BBB. Pay-per-view é para canais a cabo, não TV aberta, concessão pública. Por que Nilceia e o CONAR não defendem a dignidade da mulher tirando as baixarias. (Magda Ansaldi)

Sinônimo de devassa no cotidiano brasileiro: Para colaborar com a Secretaria de Defesa da Mulher, que rápida e eficientemente tirou a Devassa do ar, listamos alguns sinônimos de devassa,  usados no trato com mulher brasileira, muitos dos quais, repetidos em Rádios, TVs, filmes, bailes, festas, escolas e em Brasília, capital da devassidão moral e política, Roma Imperial do cerrado: vadiagalinha-cachorra-potranca-mina-cadela-vagabunda-piranha-barangaputona-biscate-sem-vergonha-gostosona-safada-depravada- santa-de pau-oco-libertina-debochadadissoluta-mulher fácil- bagunçada-corrupta- indecente. Ha outras expressões nas diferentes regiões do Brasil. (Liste a sua e envie para Nilceia Freire. Palácio do Planalto.Brasília) Pode-se também usar a palavra proibida assim: vamos fazer uma devassa em Brasília, na prefeitura no governo no judiciário no senado. Uma devassa fiscal. Devassa na sua vida. Sinônimo educado de devassidão criado por políticos: improbidade administrativa.

Volta tesão: Durante quinze anos caminhei pela Madison Avenue (entre a Quinta e a Park) considerada a Wall Street das idéias e criações de agencias de publicidade e de editoras (ver filme O Diabo veste Prada com aparições da Gisele Bündchen). Sonhei trabalhar em um departamento de Criação. Surpreso com a proibição da Loura Devassa, comercial tirado do ar por razões meramente subjetivas, imaginárias, messalinianas, sugiro à Schin free of charge a troca da palavra Devassa por Tesão (usada em todos os escalões da Republica) e lançar A Volta da Loira Proibida ( o povo fala Loira e não Loura, ambos corretos): To com saudades de você Devassa! Não consigo dormir, trabalhar, gozar. Volta, quero te beber todinha! Tesão me pega pelo colarinho e me leva à loucura! Trinta bares temáticos foram abertos para celebrar a Devassa. R$ 10 milhões faturados em dois dias. Imaginemos a volta triunfal da Censurada. Se voltar com o padrão BBB10 os ofendidos se calarão e a Devassa/ Loira/Tesão triunfará.

Por Jota Alves
 

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