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Arte e Cultura
05/02/2010 12h22
Névio Lotufo, um cuiabano com múltiplos talentos
PERFIL
Ele é conhecido como o maior “pé-de-valsa” de Cuiabá, daqueles que sabem e tem prazer em conduzir uma dama com elegância pelos salões. Mas Névio Lotufo é multimídia e ao longo de sua trajetória excepcional de vida vem transitando com desenvoltura entre vários ramos de atividade. Poucos podem ostentar no rol de habilidades pessoais uma lista tão extensa e diversificada:
comerciante, colecionador de carros antigos, mecânico, ciclista, motociclista, fotógrafo, cinegrafista, comendador, hipnotizador, escoteiro, patinador, jogador de futebol, de volei e de basquete. E para completar, é a cara do povo cuiabano com sua simplicidade, receptividade, alegria, entusiasmo, sabedoria e a humildade que só os gênios tem.
Carismático, é uma dessas pessoas que encantam quem as conhece, gerando amizades duradouras e uma legião de fãs por onde passa. O filho de José Lotufo e de dona Francisca Hugueney Capriata, nasceu em 29 de maio de 1931 na casa da rua 13 de junho, onde sempre viveu, vive e trabalha até hoje. Ali também funciona a mais antiga e tradicional bicicletaria de Cuiabá, a Motosblim. A empresa está registrada na Jucemat desde 1953 e é a mais antiga em atividade.
Neste local, entre gatos e cachorros criados como membros da família, está o “memorial” Névio Lotufo, formado por muitos recortes de jornais e revistas, diplomas, títulos de benemerência e centenas de filmes e fitas com o registro de momentos marcantes da vida da Capital e da família Lotufo. Ali também está a coleção de projetores antigos de cinema – outra paixão – além de selos, moedas e, é claro, os carros antigos.
A paixão por estas relíquias motorizadas é evidente e Névio se orgulha de ter conduzido pelas ruas da Capital personagens marcantes como os reis do futebol e da música, Pelé e Roberto Carlos, além da famosa taça Jules Rimet – aquela do tri-campeonato mundial de futebol em 1970. Todos foram passageiros do conversível Crysler, 1941, que pertenceu à Embaixada Americana no Brasil. Hoje os carros estão sob guarda dos filhos, cada um cuidando com muito carinho desta herança especial.
Hoje multitalentoso, Névio não era bom aluno nos primeiros anos de escola. Não gostava de estudar e aprontava muito na sala de aula. Preocupada, dona Francisca decidiu mandar o filho peralta para um internato em Lins, no interior de São Paulo. A rigidez da agenda acabou funcionando e o garoto peralta se tornou um bom aluno.
Retornando a Cuiabá serviu a Pátria no antigo 16º Batalhão de Caçadores, de onde saiu como terceiro sargento da reserva. Neste período mergulhou de cabeça nos esportes: futebol, volei e basquete, sua modalidade preferida. Névio se revelou um excelente jogador, geralmente o cestinha do time. Seus arremessos certeiros ajudaram vários clubes a aumentar a coleção de taças e troféus.
Técnico em Contabilidade, Névio fez doutorado na arte de bem viver. Especialista em generalidades, aprendeu um pouco de tudo e mantém sempre abertas as portas ao conhecimento. Depois dos estudos e do esporte, chegou a hora de trabalhar, pois na família Lotufo ninguém tinha moleza, apesar da prosperidade já existente. O pioneirismo era marca registrada da firma Lotufo e Irmão, formada pelo seu pai José e pelo seu tio Francisco. Eles montaram em Cuiabá a primeira máquina de arroz, a primeira fábrica de gelo e a primeira empresa telefônica.
O jovem Névio aprendeu o ofício de mecânico de automóvel e começou a reformar carros velhos, entre eles as “fubiquinhas” Ford. Nascia aí a paixão pela mecânica e pela restauração de carros antigos, que permanece até hoje.
Ativo e irrequieto, descobriu o escotismo e cuidou de sua popularização entre crianças e jovens, comandando diversas atividades que a instituição promovia. Também é membro da Cruz Vermelha e exibe com orgulho a identificação de membro no colarinho da camisa. Versátil, aprendeu técnicas de hipnotismo com o mágico Orieth Bey. A carreira só não prosperou por que sua ex-mulher, dona Alice, enfermeira e companheira de 30 anos, temia que o marido pudesse fazer alguma peraltice com o hipnotismo e vetou a prática destas técnicas.
Com Dona Alice, Névio teve quatro filhos: três mulheres e um homem, o Nevinho, que depois de formado em Ciências Contábeis perdeu a visão. Mesmo com limitações, Nevinho continua trabalhando na Motosblim e ajudando a suprir a falta de Dona Alice, mestre na arte das vendas, que faleceu em 2002.
A paixão pela dança também é antiga e foi bem exercitada com a saudosa Dona Alice. Além do rasqueado cuiabano, que domina como poucos, aprendeu a dançar o vanerão e desliza pelos salões com uma vitalidade e uma elegância impressionantes. E foi dançando nos bailes da vida que Névio encontrou outro par, a também cuiabana e também viúva Terezinha. Desde 2003, ela é seu par na dança e na vida.
Névio Lotufo é gente nossa, um cuiabano especialíssimo que merece todas as homenagens já recebidas e as que ainda virão, com certeza.
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1 Comentários para esta notícia
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adonis rebelo
01 setembro, 2010 às 13:59 - Pronto à ajudar nosso tio está sempre presente na comunidade Cuiabana , sim de grande v alor à nossa sociedade Adonis Rebelo
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