Arte e Cultura

10/03/2010 07h56


Guerra ao terror desarma Avatar

O PATINHO FEIO FAZ A HISTÓRIA

Os Seis Oscars que Guerra ao Terror(The Hurt Locker, 2008) recebeu na noite de domingo comprova a luta de David Contra Golias. A academia fez história – pela primeira vez no certame, uma mulher, Kathryn Bigelow, levou o Oscar de direção. 

Um filme que foi chutado pela crítica quando estreou em Veneza há dois anos e menos de doze meses depois era o queridinho dessa mesma crítica. Um dos produtores foi banido da festa de domingo por ter forçado os integrantes da academia a votar no filme. O roteirista – e oscarizado Mark Boal, que roubou do favorito Tarantino o premio na categoria – está sendo processado por ter se inspirado na vida de um ex-desarmador de bombas sem autorização prévia. Nada disso impediu Guerra de ser o campeão da noite.

Avatar se contentou com três prêmios técnicos – efeitos visuais, fotografia e direção de arte. Já Preciosa, além do previsível premio de atriz-coadjuvante – Mo’nique -, levou o de roteiro, tirando de Amor sem Escalas a esperança de levar um premio – e foi o injustiçado da noite. Coração Louco e Up – Altas Aventuras vieram a que disseram – cada um levou duas estatuetas. O primeiro, ator(Jeff Bridges) e canção. Já o segundo, animação e trilha Sonora.

 Longe do burburinho, The Young Victoria levou melhor figurino e Star Trek melhor maquiagem. Sandra Bullock foi outra barbada como melhor atriz por Um Sonho Possível. Filme estrangeiro, nossos hermanos passaram a perna no favorito A Fita Branca – O Segredo de seus Olhos faz par agora com A História Oficial, premiado em 1985 na mesma categoria.

Bastardos Inglórios coroou o que todo mundo já sabia desde Cannes no ano passado – Christoph Waltz levou o de melhor ator-coadjuvante. Foi um festival de bofetadas em Cameron ao vivo. Da Academia, porque, Dictator pode ser visionário, mas não tem a simpatia da galera. De Bigelow, por te-la trocado por Linda Hamilton sem cerimônia quando ainda estavam casados. E, por fim, de Hollywood, como bem disse Rubens Ewald Filho no fim da transmissão, “deu um tiro no próprio pé”, ao premiar um filme pequeno e desacreditado(ninguém botava fé no projeto)que limpou a banca e fez história.

Artur Ângelo é radialista, publicitário, videomaker e pós-graduado em cinema.
 

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