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03/12/2009 12h15
Comitê prepara Chapada para a Copa 2014
PLANEJAMENTO E AÇÃO
cidade de Chapada do Guimarães (64 km de Cuiabá) já foi considerada a “Meca do Ecoturismo”, uma promessa que ainda não se concretizou. A cidade tem um alto potencial turístico, com belas formações rochosas, rios, cachoeiras, canyons, uma fauna e flora fantásticas. Na contra-mão, há anos sofre com problemas estruturais, falta de planejamento e de políticas públicas que impulsionem a economia local. Um grupo de moradores e empresários, preocupados com os rumos da cidade, se uniu para encontrar soluções que acabem com os entraves de Chapada. A idéia era montar um grupo que trabalhasse para ajudar a resolver os problemas da cidade, mas com a vinda da Copa do Mundo para Cuiabá o projeto tomou grandes proporções. Foi assim que surgiu o Comitê Pró-Copa de Chapada dos Guimarães, coordenado pelo engenheiro elétrico e ex-secretário de Planejamento da Capital, Jurandir Spinelli.
Também compõem o comitê: Hudson Benedito da Silva, Ricardo Sarmento (Prefeitura de Chapada), Adão Martins (Câmara de Vereadores), Roberto de Carvalho, Junia Mattos, Sidnei de Sousa (CDL), Geová Feliciano (Sindicato Rural), Alaerte de Freitas e João Batista Tirapelle (Associação Comercial).
Página Única - Como nasceu o Comitê Pró-Copa?
Jurandir Spinelli - Esse comitê foi criado através de uma solicitação da sociedade civil organizada de Chapada dos Guimarães. Associação Comercial, Clube dos Diretores Lojistas e o Sindicato Rural. E nós levamos a idéia ao prefeito Flávio Daltro, que era a de se criar um comitê, já que nós temos o advento da Copa em Cuiabá. Como Chapada está no centro desse evento, principalmente na área de turismo, nós decidimos buscar para nossa cidade tudo aquilo que fosse possível trazer, sem nunca ter a pretensão de nos imiscuirmos na área administrativa do município. O prefeito de pronto atendeu e foram escolhidas dez pessoas, sendo um representante da Câmara, um da Prefeitura e oito da iniciativa privada. Eu fui escolhido para coordenar esse comitê.
Qual é a missão desse grupo?
Jurandir Spinelli - Temos como missão básica encaminhar, compor as idéias, buscar apoio político para realização de grandes obras estruturantes para Chapada, algumas delas que inclusive já começaram a ser feitas e que nós estamos participando. Tudo isso sem nenhuma conotação e atrelamento político, tendo como foco principal o desenvolvimento da cidade. Nós estamos elaborando um trabalho de comum acordo com o poder público, procurando formatar grandes idéias, para que a Prefeitura possa encaminhar os projetos executivos e consequentemente buscar o apoio financeiro.
O que o Comitê considera prioridade para Chapada?
Jurandir Spinelli - Desde o início nós colocamos como prioridade a discussão do problema da produção, abastecimento e distribuição de água potável em Chapada. Hoje, o sistema de abastecimento utiliza fontes superficiais de água, fontes que abastecem a cidade numa altitude de 760 metros, 780 metros. Um sistema que não é capaz de garantir a tranqüilidade da população local, e que se agrava quando o município recebe uma carga maior de turistas.
Como solucionar o problema?
Jurandir Spinelli - Nós queremos a otimização desse sistema atual. A água de Chapada é toda tratada, mas temos a certeza que dentro de quatro, cinco anos, a nossa cidade vai ter um problema muito sério no abastecimento de água. Estamos procurando a opção mais viável do local onde podemos trazer esse volume de água, compatível com as necessidades da cidade para daqui a 50 anos. Hoje já temos um entendimento informal com o departamento de geologia da UFMT, onde eles estão formulando propostas que podem ser acatadas no futuro próximo.
Chapada não se consolidou como a “Meca do Ecoturismo”. O que falta para a cidade deslanchar de vez como grande pólo de atração de turistas?
Jurandir Spinelli - Estamos atuando em várias frentes, mas entendemos que o teleférico é de fundamental importância para Chapada. Vai passar a ser o nosso grande equipamento de turismo da cidade. Passa a ser, talvez, o único equipamento estadual que pode contemplar a maior parcela dos turistas do Brasil, que é composta pela Terceira Idade. Segundo dados da Embratur, os idosos representam 70% do nosso turismo. Hoje nós não temos nenhum atrativo turístico para essas pessoas. O teleférico supre toda essa demanda, com fácil acesso e uma estrutura compatível com qualquer turista e um equipamento único na América do Sul. Por isso nós defendemos esse projeto, que é algo fantástico para a cidade. No meu entender, ele vai beneficiar o comércio, a administração pública, vai ser uma referência de Chapada, especialmente pelo volume de pessoas que vão para lá. O local onde ele será construído é belíssimo. O espaço entre a 1ª e a 2° torre tem 550 metros, sendo que da 2ª até a 3ª torre atinge 1.600 metros. Tudo isso em um fosso de 400 metros de profundidade, entre dois paredões. Calcula-se que cerca de duas mil pessoas passem pelo local por dia.
O Lago de Manso é outro ponto turístico que não atingiu as expectativas iniciais. O que o Comitê planeja para levar os turistas para a região?
Jurandir Spinelli - Hoje nós pensamos que hoje existe uma estrutura em Manso que é mais voltada para Cuiabá. Há uns dez anos que começamos um trabalho que envolveu a grande dedicação de algumas pessoas como o dr. Carlos Eduardo Botelho, em 2005, que fez o possível para que essa obra saísse. Pena que hoje não está mais entre nós. Agora, nós encampamos essa idéia, procurando sensibilizar as autoridades. Com o advento da Copa do Mundo, estamos expondo esse projeto para os diretores da Agência da Copa (Agecopa), tentando incluir como uma obra da Copa.
Qual é o foco principal desse projeto?
Jurandir Spinelli - A nossa idéia asfaltar toda a MT 020 e MT 246, que liga Chapada, Água Fria e o lago de Manso. São 46 km de estrada de chão que hoje não oferecem condições razoáveis de trafegabilidade, ficando sub-utilizada. O que teremos: uma parte fantástica do Lago de Manso ligada a Chapada do Guimarães, em um percurso de apenas 30 minutos de carro. Com isso nós revitalizaríamos aquela região do Lago do Manso, agregaríamos a região da Água Fria, que passaria a ter um estímulo maior, tendo Chapada como pólo, mais uma opção de lazer para quem vir à cidade, mudando essa realidade que temos hoje, com os comerciantes sobrevivendo às duras penas.
O que falta para essa idéia ser concretizada?
Jurandir Spinelli - O projeto teve sua tomada de preços realizada pela Secretaria Estadual de Infra-estrutura (Sinfra) em 2005. Em 2008, foi elaborado o projeto executivo e o licenciamento ambiental. Está tudo pronto, só falta licitar e executar a obra. Chapada precisa desse empreendimento e Cuiabá também, uma vez que devido a proximidade entre as duas cidades a Copa deve atrair o maior número de turistas para a nossa cidade. A duplicação da Rodovia Emanuel Pinheiro, o teleférico, a estrada ligando Chapada à Manso e a solução para a água vão tirar nossa cidade desse mito de Meca do Ecoturismo e transformá-la em uma cidade realmente turística, com infra-estrutura adequada, capaz de realizar nosso grande potencial.
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