Economia

25/08/2005 17h24


Grandes mineradoras desembarcam repentinamente em Mato Grosso

Nas últimas semanas, pelo menos oito das maiores empresas na área de mineração no mundo, chegaram a Mato Grosso para pesquisar e explorar as jazidas de diamante, ouro, prata, cobre e zinco. A primeira notícia surgiu com a rede "Blomblerg?, especializada em economia. A Rio Tinto, terceira maior mineradora mundial, assinou um acordo com a River Diamonds, no valor de US$ 10 milhões, para pesquisar diamantes no Estado.

O jornalista Najar Tubino, com exclusividade para nossos internautas e leitores, traça uma ampla radiografia desse setor da economia, que movimenta muitos bilhões, e traz informações novas sobre o que está acontecendo na área.Tubino detectou que gigantes mundiais da mineração, repentinamente, elegeram Mato Grosso como província mineral.

Marcos Maciel é o responsável pela área técnica da River, no Estado, e disse esperar ter nas próximas duas a três semanas, informações mais detalhadas sobre as áreas que poderão pesquisar. A Rio Tinto tem levantamentos aerogeofísicos sobre as regiões potenciais. "Nós já pesquisamos na área de Diamantino, Arenápolis e Paranatinga", informa ele.

POTENCIAL NÃO EXPLORADO

Maciel trabalha na área de mineração há muito tempo e considera que  Mato Grosso ainda não explorou 20% do que realmente possui, em riqueza mineral. Ele registrou o movimento das empresas especializadas no Estado: ?nos últimos três meses, oito das maiores júniors, como são chamadas os grandes internacionais, se instalaram no Mato Grosso?.

O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), distrito estadual, por intermédio do responsável, Jossi Gonçalo de Miranda, confirma a movimentação:

- Nós temos muitos projetos de pesquisa em diversas regiões do Estado. E também algumas minas que entrarão em funcionamento nos próximos meses, caso da Chapada Brasil Mineração, mina de diamantes que funcionará em 60 dias, e a da Votorantim associada à Prometálica, inicia a atividade em setembro. O potencial do Estado é muito grande e aquele ?boom? do garimpo, ouro de aluvião (dos barrancos) acabou?, disse Jossi Gonçalo.

ACABOU A ÉPOCA DOS PICARETAS

Ouro de aluvião existe nos depósitos de cascalho, areia e argila. Os minerais agora estão no subsolo, em áreas mais profundas. Precisam de instrumentos de alta tecnologia para serem detectados e, principalmente, investimentos para a sua exploração. Para Marcos Maciel, da River - empresa inglesa, que atua no Brasil com a subsidiária São Carlos Mineração -, ?acabou a época dos picaretas, agora são as empresas especializadas, legalizadas, que atuam diretamente, com licenças oficiais, respeitando inclusive o meio ambiente?.

A Votorantim-Prometálica inaugura a mina em setembro, na região de Rio Branco (Cáceres), e vai explorar jazidas de zinco, prata, ouro e cobre. Além disso, a Votarantim confiou os direitos de pesquisa à outra grande empresa, a Anglo América, para explorar uma grande mina na região de Aripuanã. Segundo Jossi Gonçalo, a expectativa é de uma jazida com capacidade para produzir 40 milhões de toneladas de zinco?. Isso tornaria o Brasil autosuficiente na produção do mineral. No mesmo local, a empresa está pesquisando ouro, prata e cobre, o que tornaria Aripuanã um Pólo Metálico.

NOVA SERRA PELADA

Em Juína, existem duas empresas pesquisando e explorando diamantes, mas o DNPM concedeu outras 13 permissões de lavra. Na região de Pontes de Lacerda, uma outra gigante, a Hyamana Gol, antiga Santa Elina, espera apenas a liberação para constituir uma linha elétrica, e vai abrir uma mina de ouro. A Brascam está investindo US$ 5 milhões na região de Alta Floresta pesquisando zinco, chumbo e ouro.

Marcos Maciel comenta a existência de jazidas de duas, três, quatro toneladas de ouro, volume pequeno para grandes empresas, mas podem ser exploradas por outras. Não acredita em grandes jazidas, como Serra Pelada, pelo menos pesquisada até o momento.

Um especialista ligado a uma empresa canadense, comentou com a reportagem do ?Página Única?, que nos próximos dias, o ?Brasil receberá a notícia de uma nova Serra Pelada?. Pode ser apenas mais uma história de garimpeiro, entretanto o que interessa ao Estado é a chegada das grandes mineradoras e a corrida para alcançar jazidas mais rapidamente.

DIAMANTES

A corrida atrás dos diamantes não é tão simples assim. Além da dificuldade da exploração ? áreas profundas, exigem equipamento, grandes investimentos-, não é qualquer aventureiro que entra no mercado internacional.

?As grandes produtoras já estão queimando os intermediários, interessados em apenas vender papéis (ações)?, como explica Marcos Maciel, da River Diamonds. O Brasil já foi o maior produtor de diamantes do mundo, no século XVIII (ano de 1725), foram encontrados as primeiras pedras, na região de Diamantina (MG). Hoje em dia a África do Sul domina o mercado.

Cerca de 80% da produção e comércio de diamantes de todo o mundo é controlada por uma só empresa, conhecida pelos nomes de ?The Diamond Corporation? ou ?De Beers Consolidated Mines Limited?. Ela funciona como um ?sindicato? de produtores e comerciantes de diamantes.

Todos os diamantes apropriados para joalheria vão para Londres e ali são reunidos em lotes. Somente um pequeno número de comerciantes (entre 250 e 300) compram os lotes. Preço mínimo varia conforme a época ? acima de 40 mil dólares. Existem bolsas vendedoras de diamantes na Holanda, na Bélgica, em Israel, que controlam todo o movimento e mantém os preços das pedras sempre estável.

Najar Tubino
Da reportagem

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