Segunda-Feira, 27 de Novembro de 2017, 05h:24

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“PAIZÃO DOS POBRES”: Luciano Huck anuncia que não é candidato a presidente e deixa “viúvas” políticas desgarradas

Mário Marques de Almeida
 
Luciano Huck percebeu ainda em tempo que o “balão de ensaio” que estava sendo inflado em torno de sua candidatura a presidente da República tinha por trás o “canto da sereia”  de novas e velhas raposas, e caiu fora da armadilha.


Antes que a coisa pudesse caminhar para  desgastar a sua boa imagem de sucesso na televisão, o apresentador diz que não será candidato a presidente em 2018. 


No seu caso, é bem melhor do que correr os riscos de uma aventura em seara fora dos palcos da Globo. E ainda podendo vir a perder o cobiçado emprego na emissora que faz a “cabeça” do Brasil.


A sua desistência da postulação presidencial ocorre em artigo publicado na edição desta segunda-feira, 27, da Folha de S.Paulo. Huck afirma que, "com a mesma certeza de que neste momento não vou pleitear espaço nesta eleição para a Presidência da República, quero registrar que vou continuar, modesta e firmemente, tentando contribuir de maneira ativa para melhorar o País."

Dando um colorido cultural ao texto, o apresentador cita a Odisseia, de Homero, para dizer que "nos últimos meses estive amarrado ao mastro, tentando escapar da sedução das sereias". Huck afirma ainda que a candidatura tinha apoio de familiares e de amigos, mas que se considera mais "útil e potente para ajudar meu país e o nosso povo a se mover para um lugar mais digno ocupando outras posições no front nacional".


Pela popularidade atingida em seu programa de TV – o “Cadeirão do Huck” -, na Rede Globo, no qual, entre as atrações artísticas, apresentava gincanas e anunciava reformas de carros velhos e casas, bancados por anunciantes e patrocinadores que obtinham retorno em mídia e Huck crescia no Ibope – o que, por sua vez, aumentava seu faturamento -,  o apresentador adquiriu fama parecida a de um “paizão dos pobres”.


Modernizado por novas expressões e linguagem – o que lhe rendeu o assédio de siglas e políticos desgastados que viram nele uma “tábua de salvação” para ancorar seus projetos eleitorais e de busca de poder.


Essas “viúvas” políticas desgarradas de Huck, por não terem consistência ideológica, movidas apenas por interesses eleitoreiros do momento, devem se dispersar e, a partir de agora, com o anúncio da desistência do artista, buscar novos nomes com apelo popular e características de “presidenciáveis” para grudar neles mais do que carrapatos.


Nesse aspecto, diante da imensa “geleia” (ou seria “meleca”?) que se tornou a política brasileira, nomes com potencial de crescimento eleitoral não devem faltar no  mercado televisivo ou nas hostes futebolísticas, sem falar nos “salvdores da Pátria”, adeptos do “prendo e arrebento” que emergem do prório meio político, com propostas que lembram e representam os tempos de arbítrio!


Na contramão das democracias modernas e desenvolvidas, que deveriam servir de rumo e modelo para o Brasil acompanhar, e não o contrário: caminhar no sentido de retroceder!