Segunda-Feira, 25 de Setembro de 2017, 02h:56

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Combate às queimadas resulta em aumento de prisões ; entre os Estados da Amazônia, MT é o que apresentou menor crescimento em focos de incêndios

Redação

O combate às queimadas tem se intensificado em Mato Grosso no atual governo, que vem priorizando investimentos no setor. Prisões e flagrantes lavrados em decorrência de crimes ambientais são rotineiros no Estado.

Um desses exemplo é a prisão de duas pessoas, nesta sexta-feira (22), por terem feito uma queimada num assentamento no município de Colniza (1.114 km de Cuiabá). A queimada aconteceu na terça-feira, resultando num incêndio de grandes proporções próximo da comunidade Pé de Galinha. O Corpo de Bombeiros e os brigadistas foram acionados para apagar as chamas.

Segundo o Sub-tenente Arilson Soares relatou, após a extinção do incêndio foi feita a averiguação na comunidade e chegou-se a três suspeitos. Eles foram levados à delegacia municipal onde foi lavrado o Boletim de Ocorrência e ambos responderão pelo crime. Em Colniza já foram realizadas sete prisões por queimada ilegal entre julho e setembro.

A responsabilização de uma queimada é um processo ainda em desenvolvimento e sempre ocorre depois do combate ao fogo e da perícia técnica. Com 3.952 focos de calor no estado durante o ano fica mais claro que a denúncia é indispensável para encontrar e punir os culpados. Essa é uma das principais ferramentas de repressão ao crime.

Colniza é o município com mais focos de calor em todo o estado com 2.318 registros. O segundo colocado (Paranatinga - 1.308), apresenta mais de mil focos a menos. A presença do Corpo de Bombeiros Militar está buscando não só combater os incêndios e prender culpados, mas criar uma compreensão sobre crimes ambientais na região.

Até a primeira quinzena de agosto, Mato Grosso ostentava uma redução de 20% no número de focos de calor, mas perdemos esse número rapidamente devido à quantidade de incêndios rurais e florestais em todo o território, com maior concentração na região amazônica. Mas todo o Brasil apresentou crescimento preocupante no número de focos de calor em 2017, com mais de 95 mil focos em setembro.

Mato Grosso também apresentou crescimento dos dados em agosto e setembro, mas entre os estados da Amazônia Legal que tiveram crescimento do número de focos de calor, registrou o menor aumento. Pará (229,93%), Maranhão (123,14) e Tocantins (42,79%) foram os estados da Amazônia com maior aumento de focos de calor. Mato Grosso ficou em quinto (32.334 focos – 34,71%) entre os estados que registraram números inflacionados de incêndios. Acre, Roraima e Amapá conseguiram apresentar números negativos, mas estão numa área com regime de chuvas diferenciado, com alta umidade durante esse período.

 

DESTAQUE NACIONAL

Em três anos MT dobrou sete vezes investimentos na estrutura de combate às queimadas e tem hoje o setor mais aparelhado do país

Com o período prolongado de seca que atinge o Estado, o índice de focos de incêndios seria bem maior se não fosse o aumento considerável de recursos financeiros e materiais que o Governo de Mato Grosso vem fazendo em toda sua estrutura de combate às queimadas.

Os números apontam que a Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso investiu em 2017 o dobro de recursos do ano passado e quase 7 vezes o que foi investido em 2014 para o combate às queimadas. O plano de combate e prevenção deste ano teve o aporte de R$ 3 milhões para estrutura de prevenção e resposta. Em 2014 o valor era de R$ 438 mil.

Para as atividades de combate, as equipes contam com cinco viaturas Auto Bomba Tanque Florestal; uma Auto Tanque Combustível; 13 caminhonetes da Sema e do Corpo de Bombeiros; duas aeronaves de combate a incêndio florestal e um helicóptero do Centro Integrado de Operações Áreas (Ciopaer). Com esses recursos, Mato Grosso é o Estado com a maior estrutura de combate

Mesmo aumentando o volume de dinheiro investido, de 1° de janeiro a 17 de setembro de 2017, houve um aumento de 34,71% nas queimadas em Mato Grosso. O Estado trabalhava com dados positivos até a primeira semana de setembro. Para se ter uma ideia, nos primeiros 30 dias do período proibitivo, entre 15 de julho e 15 de agosto, a redução era de 43% nos focos de calor. E entre o fim de agosto e início de setembro, a queda era de 20%. Setembro já começou com números negativos, até o dia 10 desse mês houve aumento de 0,80% nas queimadas.

“Temos que pensar em algo em torno do fortalecimento da educação ambiental, porque se não é enxugar gelo. Nós combatemos, investimos mais dinheiro, mas se não tiver a conscientização do cidadão, estamos remando contra a maré. É impossível vencer essa luta se o cidadão não entender que é ele, o seu vizinho, as crianças, os idosos, que mais sofrem com a falta da qualidade do ar”, afirma o vice-governador e secretário de Meio Ambiente, Carlos Fávaro.

O período proibitivo começou no dia 15 de julho e segue até o dia 30 de setembro, podendo ser prorrogado. Nesta época, utilizar fogo para limpeza e manejo nas áreas rurais é crime passível de 6 meses a quatro anos de prisão, com autuações que podem variar entre R$ 1 mil a R$ 7,5 mil por hectare.

Por isso, além das ações de governo, é importante que os cidadãos denunciem essa prática. Nas áreas urbanas, o uso do fogo para limpeza do quintal é crime o ano inteiro. As denúncias podem ser feitas na ouvidoria do BEA: 0800 647 7363, no 193 do Corpo de Bombeiros ou diretamente nas Secretarias Municipais de Meio Ambiente.

Apesar de despertar a atenção, apenas 4,13% dos 32.334 focos de calor registrados em Mato Grosso aconteceram em unidades de conservação (federal, estadual e municipal). Na Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada dos Guimarães, o fogo começou no início de agosto e já queimou cerca de 4 mil hectares.

Entre Nobres e Santa Rita do Trivelato, encontra-se a APA Cabeceiras do Rio Cuiabá, com 461 mil hectares, onde se concentra hoje o maior efetivo do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA) que já teve 25 mil hectares queimados. Dois servidores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), 18 bombeiros, 3 viaturas Auto Rápido Florestal e uma aeronave de combate estão empregados na operação de combate ao incêndio que teve início no dia 1º de setembro e ainda não foi controlado.

Já na Estação Ecológica do Rio Ronuro, no município de Nova Ubiratã, o incêndio foi controlado mais rapidamente, no dia 13 de setembro. O Tenente-coronel BM Paulo Barroso, comandante do BEA, destaca que as parcerias com as prefeituras, na criação de brigadas mistas, evitaram que o estado apresentasse números tão dramáticos quanto o Brasil, que já registrou 170,6 mil focos de calor, 45% a mais que o mesmo período do ano passado.

Nesta Temporada de Resposta a Incêndios Florestais, foram registradas ocorrências nas UCs Parque Estadual Gruta da Lagoa Azul, Parque Estadual Serra de Ricardo Franco, APA Nascentes do Paraguai, PE do Araguaia, RPPN do Sesc Pantanal, APA Nascentes do Rio Paraguai, Estação Ecológica Rio Ronuro. “São 1680 incêndios florestais registrados pelo BEA desde janeiro, destes 582 foram atendidos, isso corresponde a 35% do total. Nas áreas urbanas foram 827 incêndios em terrenos urbanos”, afirma o TC BM Barroso.