Quinta-Feira, 21 de Julho de 2016, 06h:27

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EFEITO COLATERAL: Prisão de Permínio Pinto "detona" com discurso ético do PSDB e pode ter implicações políticas e partidárias nas eleições municipais

Por Mário Marques de Almeida

 

A prisão do ex-secretário estadual de Educação, professor Permínio Pinto, uma das figuras de destaque do PSDB mato-grossense e indicado pelo seu partido para ocupar uma das mais importantes pastas do governo chefiado por Pedro Taques, também tucano, fatalmente vai acabar com esse fato sendo “linkado” aos debates que serão travados nas eleições deste ano. 

 

Pode-se apostar que a oposição não vai perder esse “prato” que caiu em seu colo, especialmente quando tudo indicava que os adversários dos tucanos ficariam  acuados e na defensiva quando surgissem – e sempre surgem, nesta  época do ano – temas indigestos sobre moralidade política e  administrativa.

 

Permínio foi preso pelos agentes do Gaeco na tarde de ontem (20) sob acusação de ter participação ativa em fraudes na Secretaria Estadual de Educação (Seduc) ocorridas na atual gestão,. O esquema, segundo denúncias do Ministério Público Estadual (MPE), operava mediante licitações viciadas e dirigidas a um cartel de empreiteiras que ganhava as “concorrências” para execução de obras de reforma e construção de escolas, no montante que chegaria à expressiva soma de R$ 56 milhões.

 

Se sua detenção tivesse ocorrido em outro período do ano, já seria um choque, especialmente em uma gestão que tem um discurso forte com foco na moralidade, mas, possivelmente, não teria o impacto de agora – período eleitoral e às vésperas da campanha municipal.  Considerando esse fator temporal e pelos ingredientes políticos e partidários de que se reveste esse lamentável episódio que não deixa de abalar o discurso oficial dominante em Mato Grosso,  a avaliação que se faz é a de que a prisão de Perminio vai ser explorada eleitoralmente pelas forças que se opõem ao atual governo. 

 

Todas essas circunstâncias se tornam mais emblemáticas no sentido de colocar mais “lenha na fogueira” das discussões e debates, à medida que o ex-titular da Seduc, até pouco tempo atrás, era uma espécie de ícone dos tucanos locais no tocante aos valores éticos e seu nome, inclusive, vinha sendo cultivado para compor chapa nas eleições de Cuiabá, e nas quais a legenda não descartava até concorrer com candidatura própria, segundo defendia um grupo desse partido. 

 

Além do mais, ele  ocupava uma pasta que era, no governo anterior - aliás, seriamente maculado por denúncias de corrupção - loteada ao PT, partido que é considerado por muitos como a “antítese” negativa do PSDB no campo ético e moral.

 

RESUMO: Levando em conta as considerações acima elencadas, não é preciso ter “bola de cristal” para avaliar que a tese de ter candidato próprio do PSDB, se antes já estava esvaziada, se tornou hoje praticamente inviável em Cuiabá, e até mesmo a exigência  que setores desse partido estariam fazendo para impor um vice na chapa encabeçada por Mauro Mendes (PSB) como condição “sine qua non” para apoiar uma eventual candidatura do atual prefeito à reeleição, também perdeu força.

 

Salvo melhor juízo, a partir de agora, com relação a exigir um vice de seus quadros, as chances do PSDB são iguais a de outros partidos com musculatura para tal e que fazem, ou poderão vir a fazer, parte desse arco de aliança.

 

O que apenas reforça, na visão deste jornalista, autor da presente análise política, aquela famosa máxima mineira dita por velha raposa das Gerais, quando afirmava que “política é igual nuvem: muda de uma hora para outra”.

 

Faz sentido!

 

Mário Marques de Almeida é jornalista e diretor deste site e jornal