Quarta-Feira, 13 de Julho de 2016, 14h:36

Tamanho do texto A - A+

METAMORFOSE PETISTA

Por João Edisom Souza

 

A militância partidária ainda é a melhor forma de construir quadros políticos. Prova disso é que o Partido dos Trabalhadores (PT), embora nunca tenha gestado a prefeitura da capital ou assumido o governo de Mato Grosso, formou importantes quadros durante o decorrer dos anos aqui no estado.

 

Se voltarmos na história das campanhas para a prefeitura de Cuiabá, já tivemos o ex-deputado Alexandre César, em uma disputa acirrada com o ex-prefeito Wilson Santos, e o ex-vereador Lúdio Cabral, que também teve forte enfrentamento tanto para a prefeitura de Cuiabá, com o atual prefeito Mauro Mendes, quanto na disputa do governo do estado com o atual governador Pedro Taques. Em todos os casos bateram na trave.

 

As eleições 2016 para a prefeitura de Cuiabá demonstra essa capacidade petista de criar políticos combativos através da militância. Tanto que tem uma curiosidade interessante neste pleito: exceto o atual prefeito Mauro Mendes, que possivelmente vai à reeleição, todos os outros possíveis candidatos veiculados pela imprensa e que poderão ir para a disputa da prefeitura da capital têm origem ou passaram pelo Partido dos Trabalhadores. Quando não o próprio partido é originário ou dissidente da sigla nascida no ABC paulista.

 

Possíveis candidatos a prefeitura, tais como Valtenir Pereira, que foi eleito pela primeira vez a uma cadeira na Câmara de Vereadores de Cuiabá pelo Partido dos Trabalhadores, embora hoje esteja no PMDB, foi defensor e votante pela permanência da presidente Dilma Rousseff. Fato que se assemelha a da ex-senadora Serys Slhessarenko, que foi deputada estadual mais de uma vez e senadora pelo Partido dos Trabalhadores, embora hoje milite no PRB.

 

Pelo PDT temos como pré-candidato o ex-juiz Sebastião Julier, que já foi filiado ao PT. O PSOL, partido do procurador Mauro, é filho do PT; foi feito da costela do PT, tanto que na discussão do processo que deu inicio ao possível impeachment da presidente Dilma, voltou as origens e votou em bloco e fechado a favor da petista. A REDE  é outro partido que deve lançar candidato, cujos membros são seguidores da ex ministra e ex senadora Marina Silva, fundadora do PT e que durante muito tempo fez parte dos quadros petista.

 

Logo, mesmo sem encabeçar uma chapa, poderemos dizer que o PT entrará na disputa, uma vez que teremos um bloco originário de uma metamorfose petista versus o atual prefeito Mauro Mendes. Que isso sirva de exemplo aos demais partidos: quem trabalha militância constrói lideranças e facilita alianças. Quem não faz isso tem que comprar pronto. Mas como dizia Friederich Hegel: “O que a história ensina é que os governos e as pessoas nunca aprendem com a história”.