Sexta-Feira, 26 de Junho de 2015, 09h:39

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Líderes do MCCE defendem investigação rigorosa sobre igrejas que faturam bilhões e não pagam impostos

Em artigo, dois dos principais líderes (Antonio Cavalcante Filho, o “Ceará”, e Vilson Nery) do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE –, mas que se declaram simples “ativistas”, defendem a abertura de CPIs não só para políticos, agentes públicos e empresários envolvidos em falcatruas, mas também para igrejas.

 

A opinião  deles se assenta sobre os muitos bilhões arrecadados por muitas dessas instituições religiosas e que são isentas de tributos. Essa dinheirama toda, em vários casos, engorda contas particulares e o patrimônio de “fundadores” e membros privilegiados de várias igrejas.

 

Confira  abaixo, o que os autores do artigo pensam a respeito disso tudo:

 

CPI DAS IGREJAS, POR QUE NÂO?

 

Por Antonio Cavalcante Filho e Vilson Nery*

 

 Um dos grandes instrumentos de que dispõe o Congresso Nacional para proteger a cidadania são as Comissões Parlamentares de Inquérito, coletivo de deputados que podem, inclusive, exercitar alguns poderes destinados a juízes.

 

 Há uma situação social gravíssima em curso, que potencialmente prejudica milhares de pessoas inocentes, mas que as instituições de estado, aí incluídos o ministério público e a receita federal, se recusam a agir. Mas o “corpo mole” dos agentes de estado permite que a lesão a milhares de pessoas continue, sem a necessária repressão.

 

 A Revista Forbes publicou um ranking dos pastores mais ricos em atividade atualmente, e as fortunas de alguns brasileiros surpreende pela grandiosidade. O levantamento foi feito pela Revista Forbes há uns dois anos, e divulgado pela Revista Exame (http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/riqueza-de-pastores-no-brasil-chama-a-atencao-da-forbes) e Revista Época (http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Vida/noticia/2013/01/forbes-lista-pastores-milionarios-no-brasil.html).

 

De acordo com o ranking, o Bispo Edir Macedo teria acumulado uma fortuna pessoal de 950 milhões de dólares. O bispo é escritor, vendeu 10 milhões de livros, fundou a Igreja Universal do Reino de Deus, controla a Rede Record. Comanda o canal Record News, alguns selos musicais e uma empresa de jatos privados.

 

 O segundo colocado é Valdemiro Santiago, ex membro da Igreja Universal. Fundou a Igreja Mundial do Poder de Deus, com mais de 900 mil seguidores e 4.000 templos, e tem fortuna avaliada em 220 milhões de dólares.

 

 Na lista de Forbes está o pastor Silas Malafaia. Líder da Assembleia de Deus, lançou uma campanha chamada “O Clube do Um Milhão de Almas”, com o objetivo de arrecadar R$ 1 bilhão de reais para criar uma rede de televisão global. Diz a Revista Forbes que sua fortuna seria de 150 milhões de dólares.

 

 Outro dissidente da Igreja Universal, o pastor Romildo Ribeiro Soares (RR Soares), fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus conseguiu colher uma fortuna de 125 milhões de dólares.

 

 Isso seria mais um “milagre”, mas não é apenas e tão somente isso.

 

 No Brasil as igrejas não recolhem tributos, em razão da imunidade tributária de que trata a Constituição Federal (art. 150, inciso VI, letra “b”), mas a grande fortuna pessoal amealhada pelos líderes espirituais merece uma investigação por meio de CPI. Afinal, excetuando aqueles sortudos que ganham na mega sena acumulada, ou os que se casam com companheiros(as) multimilionários(as), ninguém consegue em tão pouco tempo adquirir fortunas tão visíveis.

 

 É hora do parlamento brasileiro se debruçar sobre o tema e verdadeiramente tratar a todos com igualdade, impedir o mau uso das igrejas e proteger a boa-fé das pessoas. Verificar a origem das fortunas dos líderes espirituais, e mesmo do imenso patrimônio das igrejas, é medida absolutamente isenta, e que pode afastar eventuais discrepâncias de tratamentos tributários.

 

 *Antonio Cavalcante Filho e Vilson Nery são ativistas do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE.