Sábado, 01 de Julho de 2017, 00h:26

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“CHUMBO TROCADO NÃO DÓI”: Uma semana após EUA vetar a carne brasileira, Blairo Maggi anuncia proibição à entrada no Brasil de picanha importada pela JBS daquele país

Redação 

 

Pouco mais de uma semana após os Estados Unidos anunciarem a suspensão da compra de carne bovina brasileira, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, divulgou a informação de que o Brasil também vetou a entrada de lotes do produto importado daquele país. 

 

O ministro nega retaliação à medida restritiva adotada pelos Estados Unidos contra a carne produzida no Brasil. No entanto, coincidentemente, ou não, a proibição brasileira ao ingresso de um lote de carnes importado da América ocorreu depois do governo norte-americano ter imposto sanções à venda do produto de origem bovina exportado por frigoríficos brasileiros. A reação do Brasil foi mais ou menos assim na base do “chumbo trocado não dói”...

 

A JBS confirmou que teve "um lote" de carne importada pela companhia foi vetado, mas não informou qual o volume rechaçado. Na quinta-feira, 29, em discurso para agricultores e políticos no município de Campina Grande (PB), Maggi falou sobre o assunto. 

 

"Na semana passada, todos aqui receberam a notícia de que os Estados Unidos suspenderam a nossas plantas (...) de carne. Nós, esta semana, também embargamos mercadorias, carnes dos Estados Unidos (...), principalmente picanhas que chegaram aqui em desconformidade. O Ministério da Agricultura fiscalizou : não está conforme, devolve." 

 

De acordo com ele, 20 contêineres foram vetados. Nesta sexta-feira, 30, Maggi confirmou que "de 32 contêineres de carne frescas e miúdos, 20 foram devolvidos por motivos de rotulagem, rastreabilidade e certificação", mas mudou a versão dada sobre o período do veto. 

 

Segundo ele, a recusa de cargas ocorreu antes da suspensão da compra de carne pelos norte-americanos ao produto brasileiro. "Significa que 62,5% do exportado pelos Estados Unidos para o Brasil teve que retornar àquele país. Vejam que antes do comércio vem a segurança e proteção dos consumidores de ambos os países", relatou o ministro. 

 

A JBS informou que a devolução de sua carne ocorreu por problemas na rotulagem do produto. Segundo a companhia, não há qualquer problema de sanidade com a picanha importada nem qualquer vínculo entre o veto e a proibição de importação dos Estados Unidos, anunciada em 22 de junho. 

 

"A JBS confirma que, por questões técnicas de rotulagem do produto, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento suspendeu a entrada de um lote de carne bovina in natura oriundo dos EUA. 

 

A companhia ressalta ainda que o ocorrido não possui nenhuma relação com a qualidade do produto", relatou a companhia, em nota.