Sexta-Feira, 23 de Junho de 2017, 17h:54

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Embora produza carne de qualidade, pecuária de MT é abalada por fatores externos como o da Carne Fraca, bloqueio nas vendas e JBS

Redação

 

Lideranças da agropecuária mato-grossense compartilham com a visão de que, desde a eclosão do episódio  Carne Fraca – investigação deflagrada pela PF para averiguar suspeitas de fraudes na fiscalização federal e no processamento da carne por frigoríficos –, compradores externos passaram a ficar mais críticos com relação à qualidade de produtos de origem bovina exportados pelo Brasil. O que tem ocasionado bloqueios e até suspensão nas vendas para os mercados externos - o que afeta mais diretamente Mato Grosso, por ser o principal produtor do país, do que outros Estados brasileiros.

 

Além desse fato policial com repercussão negativa, interna e externamente, outros fatores como o aumento da oferta de gado para corte no Estado e a instabilidade jurídica pela qual atravessa o Grupo JBS – maior comprador de bois em MT – também contribuíram para agravar a situação na base do mercado (os precuaristas), que costuma ser a mais fraca na cadeia produtiva quando da negociação de preços da arroba. 

 

Já no âmbito nacional, o mesmo cnceito parece prevalcer quanto aos problemas enfrentados pelo setor.  Nesse sentido, o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, afirmou nesta sexta-feira, 23, que desde a Operação Carne Fraca, em 17 de março, foi detectada certa desconfiança do mercado internacional em relação aos produtos  brasileiros de origem animal, notadamente bovina,

 

"Alguns países estabeleceram restrições e outros determinaram inspeção de 100% da carne", afirmou. Segundo o secretário, durante esse processo, algumas não-conformidades foram decobertas na carne brasileira, primeiramente pela União Europeia. 

 

"Recebemos documento técnico da Comissão Europeia e estamos respondendo. O plano de ação será encaminhado até a próxima quarta-feira para o bloco", disse. Em seguida, na semana passada os EUA também encaminharam ao Brasil documento relatando problemas na carne bovina in natura. 

 

Como resposta imediata, o Ministério da Agricultura determinou a interdição de cinco das 15 plantas autorizadas a exportar carne in natura para os EUA - neste caso, os cinco maiores frigoríficos. "Mas ontem (quinta-feira) fomos surpreendidos pela decisão dos EUA em suspender as importações de carne de todas as plantas", pontuou. 

 

Novacki afirmou que a equipe técnica do Ministério da Agricultura já está respondendo aos Estados Unidos e ressaltou, em mais de um momento durante a entrevista, que nada do que foi citado no documento dos norte-americanos põe em risco a saúde pública. 

 

"Após a Operação Carne Fraca, paira um clima de insegurança e incerteza sobre o Brasil", reconheceu. "Mas o nosso sistema de inspeção é robusto e seguro. Esperamos reverter a suspensão o mais rápido possível", disse, acrescentando que a resposta aos EUA deve ser enviada na próxima semana. 

 

"Programamos também uma visita técnica àquele país." De acordo com Novacki, o próprio ministro da Agricultura, Blairo Maggi, expressou disposição de ir aos EUA para esclarecer a questão no âmbito político.