Sábado, 09 de Junho de 2018, 01h:24

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NOVO BAQUE NA AVICULTURA: China impõe sobretaxa a frango brasileiro

Redação

Em nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores, Agricultura e Indústria e Comércio Exterior, o Brasil disse que "lamenta" a decisão da China de impor tarifas de até 34% de carne de frango brasileira. 

 

O texto diz que as exportações do produto complementam a produção daquele país, beneficiando seus consumidores. 

 

Na noite desta quinta-feira, 7, o governo foi surpreendido com a decisão da China de ampliar as tarifas para o frango de corte brasileiro a partir deste sábado, 9. 

 

Segundo Pequim, a decisão foi tomada em caracter preliminar, sob a alegação que a indústria chinesa foi substancialmente prejudicada pelas importações de produto brasileiro. A medida deve prejudicar os negócios externos de gigantes nacionais dos alimentos como a Seara, controlada pela JBS, e a BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão. 

 

Com esses efeitos negativos repercutindo em toda a cadeia produtiva, afetando mais duramente os micros, pequenos, médios e grandes avicultores.

 

Fonte do governo brasileiro disse que a decisão chinesa foi recebida com muita preocupação, pois tem "pouca consistência do ponto de vista técnico". Os principais elementos que justificariam a adoção de uma medida antidumping estão ausentes. 

O principal argumento do Brasil é que as exportações de frango do Brasil não prejudicaram as empresas concorrentes locais, que seria um requisito obrigatório para a aplicação da medida antidumping. Pelo contrário, as empresas chinesas cresceram, aumentaram sua capacidade instalada, elevaram sua lucratividade e até subiram o preço do frango comercializado no mercado interno. 

 

"A participação das importações brasileiras representa cerca de 5% do mercado da China e elas, em nenhum momento, foram responsáveis por deslocar as vendas internas de produto chinês, que cresceram continuamente ao longo do período da investigação", frisa a nota. 

 

Esse argumento foi levado à China em recentes visitas dos ministros Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Blairo Maggi (Agricultura) e Marcos Jorge (Indústria, Comércio Exterior e Serviços). Também foi formalizado em documento. Mesmo assim, o antidumping provisório foi autorizado. 

 

Agora, o governo e as associações exportadoras de frango vão redobrar o trabalho para demonstrar que o dumping não se justifica. 

 

"Considerando a ausência de fundamentos no caso concreto, o Brasil espera que o governo da China encerre a investigação em curso, sem a aplicação de medida antidumping definitiva", diz a nota. 

 

As vendas de frango do Brasil para a China totalizaram US$ 1,05 bilhão em 2016, o último ano que consta das investigações. No ano passado as vendas recuaram para US$ 800 milhões. 

 

Uma fonte do governo negou que a medida contra o frango seja alguma espécie de represália à sobretaxa antidumping decidida pelo Brasil contra o aço da China no início deste ano. Pelo contrário, disse que a condução do processo foi elogiado pelas autoridades chinesas.