Quinta-Feira, 07 de Junho de 2018, 08h:17

Tamanho do texto A - A+

QUEDA DE BRAÇO: Caminhoneiros em MT começam a ficar “ouriçados” e não descartam nova greve caso tabela de fretes seja diminuída

Redação

Nas chamadas frentes do agronegócio nas quais esse segmento pontifica de forma mais intensa, a exemplo do circuito da soja que se estende ao longo das BR-163-364, no trecho que cruza Mato Grosso, nos pontos principais de parada de caminhoneiros - Rondonópolis, Lucas do Rio Verde e Sorriso - as conversas giram em torno da possibilidade de uma nova greve caso a tabela do frete ajustada com o governo federal não seja cumprida.

 

“Os condutores estão começando a ficar ‘ouriçados’ de novo, preocupados de que o reajuste de 150% nos fretes não seja honrado”, alerta Renato Araújo, transportador autônomo cujo caminhão trabalha basicamente em função de atividades ligadas ao agronegócio – justamente o setor da economia que exige uma revisão a menos na tabela para fretamento de cargas, em especial soja.

 

Nesse sentido, nesta quinta-feira, 7, uma nova tabela com esses custos de transporte rodoviário colocados em patamar mais baixo deverá ser editada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), segundo informa o ministro dos Transportes, Valter Casimiro. 

 

Na realidade, embora não admita essa hipótese, ocorre que o governo cedeu à pressão do agronegócio, que reclamou de aumento de custo dos fretes de grãos em até 150%. 

 

Como parte do acordo para por fim às paralisações dos caminhoneiros, que durou 11 dias e gerou uma crise no abastecimento em todo o País, a ANTT publicou uma tabela com os preços mínimos dos fretes, mas os valores causaram polêmica. 

 

"A ANTT está fazendo trabalho de adequação da tabela. Isso foi explicado aos representantes do movimento e, provavelmente amanhã (nesta quinta-feira, 7), a ANTT já publique essa tabela contemplando todos os tipos de caminhão para as cargas que estão previstas na medida provisória e isso vai diminuir essas distorções", afirmou o ministro, após participar de reuniões com 16 associações representantes dos caminhoneiros no Palácio do Planalto. 

 

Os caminhoneiros, porém, dizem que vão aceitar apenas mudanças "pontuais" na tabela. O presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, disse que não concordará, por exemplo, com eventual diminuição dos preços fixados pela ANTT. 

 

"Tudo aquilo que o governo assumiu ele vai cumprir, a tabela continua do jeito que está, não vai mudar nada. Até que me provem o contrário, foi uma reunião muito boa e o caminhoneiro pode ficar tranquilo, porque vai receber tudo o que foi combinado", disse o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes. 

 

O presidente da União dos Caminhoneiros (Unicam), José Araujo, mais conhecido como China, porém, diz que qualquer solução pode representar confusão. "Se a tabela for mantida, os empresários vão reclamar; se cair, os caminhoneiros vão protestar." 

 

Segundo ele, os caminhoneiros não abrem mão da tabela e dizem que vão lutar para manter a conquista. Ou seja, se for preciso uma nova greve poderá ser iniciada. 

 

Preocupadas com o impacto financeiro da tabela, algumas empresas até já procuraram advogados para se precaver, temendo serem multadas caso não paguem o frete mínimo. 

 

Bruno Werneck, advogado do escritório Mattos Filho, afirma que está preparando algumas ações na Justiça para preservar seus clientes. "Entendemos que é preciso respeitar os contratos existentes. Na relação cliente e transportadora, a empresa não é obrigada a aplicar a tabela mínima."