Terça-Feira, 05 de Junho de 2018, 03h:28

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Usinas de MT unem-se a entidades do setor para cobrar da ANP retomada da mistura de 10% do biodiesel ao diesel

Redação

Usinas fabricantes de biodiesel em Mato Grosso – Estado que se situa entre os quatro maiores produtores desse tipo de combustível no país –, com alta estocagem em função da greve dos caminhoneiros que impediu a retirada do produto, são as maiores interessadas na adição do insumo ao diesel puro que sai das refinarias e é vendido nas bombas.

A mistura do biodiesel ao refinado de petroleo, obrigatória em torno de 10%, trata-se de um mercado expressivo e com condições de absorver excedentes da produção dessa, que ao lado do etanol, com mercado já assegurado, constitui uma nova matriz energética brasileira que tem a vantagem de não ser extraída de jazidas petrolíferas de origem fósseis – fontes em processo de esgotamento no mundo.

As empresas mato-grossenses do setor unidas às principais entidades do segmento de biodiesel do Brasil encaminharam à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pedido para que a mistura obrigatória do combustível ao diesel de petróleo seja retomada no País. A liberação da mistura e do uso do diesel 100% mineral para o abastecimento em postos foi autorizada pela ANP em 24 de maio para minimizar a crise de abastecimento de veículos causada pela greve de caminhoneiros.

No documento, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio) e a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) dizem que "compreendem que as paralisações de caminhoneiros e as dificuldades de abastecimento de combustíveis produziram grandes dificuldades para a continuidade das retiradas de biodiesel das usinas".

No entanto, as associações sustentam que o movimento nas rodovias terminou "e as condições para o restabelecimento das retiradas pelas distribuidoras já estão presentes, pois as vias de acesso estão liberadas desde o dia 31 de maio de 2018".

As três entidades relatam perdas diárias de R$ 43 milhões só com o biodiesel não entregue para a mistura obrigatória e informa que a não retirada de biodiesel "também interrompe a produção de farelo e de óleo de soja com a limitação da capacidade de armazenagem desses produtos".

"Portanto, é urgente a retomada da mistura obrigatória de biodiesel e as retiradas de produto das usinas para que as cadeias produtivas de proteínas animais não sejam prejudicadas com a falta de farelo de soja, ingrediente essencial para a formulação de rações", dizem as entidades.