Quarta-Feira, 06 de Dezembro de 2017, 09h:30

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FOCO NO CENTRO OESTE: Diante do risco da Petrobras reduzir compra de gás, Bolívia tem pressa para abrir negociações com MT e MS

Na iminência da estatal brasileira de petroleo reduzir pela metade a aquisição do gás, a Bolívia cobra uma definição rápida da Petrobras - o que possibilitará àquele país buscar novos mercados no Brasil, com destaque para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, pelo grande potencial de crescimento de consumo que estas duas unidades federativas representam.

Redação

A Bolívia cobrou nesta terça-feira, 5, uma definição da Petrobrás sobre a compra de gás daquele país. Durante conversa do presidente Michel Temer com o presidente da Bolívia, Evo Morales, o ministro de Hidrocarbonetos, Luis Alberto Sánchez, deixou claro que gostaria de maior previsibilidade de consumo por parte da Petrobrás.

O Brasil é o principal consumidor do gás boliviano e a Petrobrás é hoje a única compradora no País. O atual contrato de fornecimento acaba em 2019. Embora seja um contrato entre a estatal brasileira e a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), esse é o principal item de relacionamento econômico entre os dois países.

Segundo fontes, há sinais nos bastidores de que, com o fim do contrato, a Petrobrás pretende reduzir suas compras de gás pela metade. Os bolivianos esperam informações mais firmes sobre isso para decidir se abrem a venda de gás para outros compradores no Brasil.

Um desses focos de mercado é Mato Grosso. Nesse sentido de adquirir o insumo daquele país o governador Pedro Taques se reuniu ontem (5), em Brasília, com o presidente boliviano, Evo Morales.

Taques pretende que o Estado importe o gás dioretamente da Bolívia, sem intermediários, para baratear o custo dessa fonte de energia às indússtrias mato-grossenses.

Outro alvo dos bolivianos é Mato Grosso do Sul, segundo informa o governador Reinaldo Azambuja. "Temos um duto em Corumbá que só precisa ser conectado ao sistema boliviano", disse. O Estado quer comprar gás diretamente da Bolívia para viabilizar a implantação de uma usina termoelétrica na fronteira, um investimento privado de R$ 1,5 bilhão.

Com isso, grandes empresas consumidoras poderiam comprar diretamente da empresa estadual, a MSGÁS. Provavelmente, conseguiriam um preço melhor do que o cobrado pela Petrobrás, por causa do custo de transporte, que é igual para todos os consumidores, independentemente de onde estejam.

Azambuja quer vender diretamente e oferecer como vantagens a proximidade em relação ao fornecedor e um sistema de dutos próprio.