Terça-Feira, 03 de Outubro de 2017, 22h:40

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PREDADORES DO MERCADO: Com dinheiro fácil do BNDES e sonegação de impostos, a JBS sufocou a concorrência e criou monopólio da carne em MT

Mário Marques de Almeida

Acusada de cartelizar o mercado de carne, sobretudo em Mato Grosso – detentor do maior rebanho bovino de corte do país -, além de fazer o mesmo em outras regiões do país,  eliminando concorrentes através da compra de frigoríficos, a JBS caiu em desgraça após denúncias de corrupção e fraudes em delação premiada que culminou com a prisão de seus principais donos (os irmãos Joesley e Wesley).

O grupo que chegou a ser o maior do mundo no setor, foi acusado de fazer aquisições de plantas industriais de grupos frigorífcos menores com o dinheiro do BNDES  que jorrava a rodo, em forma de empréstimos generosos e parceria em sociedade com o banco estatal de fomento.

No que tange ao caso específico de Mato Grosso, onde o monopólio da empresa foi alarmante, levando os produtores a ficarem praticamente sem alternativas para comercializar seus rebanhos, a JBS ainda se aproveitou de sonegação em alta escala propiciada pelo Governo passado, em troca de propinas, conforme consta das delações de Wesley e do próprio ex-governador Silval Barbosa.

 

Esse favorecimento oficial diminuia o espaço de negociação dos criadores de gado, que se viam compelidos a ter que vender sua rêses para o monopólio implantado pela JBS. Fazendeiros se descapitalizavam, enquanto a JBS ampliava suas empresas.  Mas os consumidores finais pagavam caro pelo quilo da carne nos açougues e supermercados, abastecidos pela marca Friboi - uma das "joias" da coroa do conglomerado empresarial.

Agora, na contramão do que muitos pecuaristas reclamavam sobre as práticas dos irmãos Wesley e Joesley – tachados com frequência como predadores do mercado da carne -, o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Luciano Coutinho defendeu nesta terça-feira, 3, os negócios do banco com a JBS.

Embora seja evidente que o banco de fomento foi um dos principais investidores da empresa de processamento de carne, que se tornou a maior do mundo no setor. O BNDES chegou a ter 35% das ações da empresa. Mas, segundo Coutinho, os investimentos do BNDES no grupo tiveram como objetivo a sua internacionalização, e não a formação de monopólio na área.

"Jamais o BNDES apoiou a JBS ou qualquer outro grupo a fazer aquisições e fechar unidades (de concorrentes)", disse Coutinho em depoimento na CPMI da JBS no Congresso.

"O apoio do BNDES foi dirigido prioritariamente à internacionalização da JBS."

"A JBS foi bem-sucedida em fazer aquisições e integrar essas empresas a seus sistema", disse Coutinho.

Segundo ele, a única exceção do apoio do BNDES a operações da JBS se deu na aquisição do frigorífico Bertin. Conforme o ex-presidente do BNSES, na época havia o risco de que o grupo concorrente fechasse as portas, colocando em risco empregos.

*Com informações da Agência Estado