Domingo, 16 de Abril de 2017, 23h:00

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VERGONHA: Quando ficarão prontos os menos de 60 Km da BR-163 que "travam" uma rodovia estratégica para MT e o país?

Redação

atoleiros

 

Atoleiros na BR-163 localizados no curto trecho que ainda falta para asfaltar (Reprodução)

 

Cerca de 60 quilômetros - onde existem os pontos mais críticos - dos 190 que ainda faltam por pavimentar,  "travam" o tráfego em sua plenitude, durante o período chuvoso, na BR-163, também conhecida como Rodovia Cuiabá-Santarém. A principal ligação entre a maior região produtora de grão do país, em Mato Grosso, e os portos da Região Norte, principalmente em Miritituba e Santarém, no Pará, ficam isoladas nessas épocas do ano.

 

Há cerca de três semanas, por exemplo, por causa das chuvas intensas na região e do aumento do tráfego de caminhões carregados, vários pontos de atoleiros se formaram em um trecho de 47 KM localizado entre as comunidades de Santa Luzia e Bela Vista do Caracol, no território paraense.

 

A fila de caminhões chegou a ocupar mais de 50 km no local, durante dias - o que causou prejuízos biionários à economia do país, em especial de Mato Grosso e Sul do Párá, particularmente ocasionando perdas ao setor de agronegócios e tranportadoras.

 

Esse pequeno trajeto que se transformou em "gargalo" na BR-163, interrompendo o fluxo de transportes de cargas, ganhou as manchetes do país, escancarando a irresponsabilidade de dirigentes nacionais da área de infraestrutura com um modal rodoviário de suma importância, por ligar regiões produtoras do Centro do Brasil com vias de escoamento marítimos ao Norte. Encurtando distâncias e interiorizando o desenvolvimento.

 

Impotente para resolver o problema, até porque se trata de uma via federal e com entraves em sua livre circulação em trecho localizado no estado vizinho, o Governo de Mato Groso, nem por isso "lava as mãos" para o problema: o governador Pedro Taques tem feito cobranças e gestões junto a quem de direito - ou seja, o Ministério dos Tranportes - para que o órgão busque solução para tornar a rodovia trafegável todo o ano, com chuvavrada ou sem, e no menor espaço de tempo.

 

Segundo o Dnit, 756,6 km da BR-163 no Pará estão pavimentados, faltando 190 km. Desde a divisa com Mato Grosso até Miritituba, faltam 100 km para serem asfaltados. Em 2016, foram asfaltados 20 quilômetros. 

 

A se acreditar nas promessas de Brasília, os trecho da rodovia onde se verificam os pontos críticos devido às chuvas será pavimentado este ano, de acordo com o Dnit. A meta é asfaltar 60 km em 2017 e concluir o asfaltamento até o porto de Miritituba até 2018.

 

O órgão informou que, até a conclusão das obras, serão adotadas medidas emergenciais, como o controle de tráfego e a drenagem para escoar água da estrada, dando passagem aos veículos, especialmente os caminhões com cargas mais pesadas.

 

Economia de R$ 1,4 bilhão

 

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a conclusão da obra da BR-163, iniciada em 1973, levará a uma economia de R$ 1,4 bilhão por ano com o transporte de cargas. Divulgado em 2013, o estudo BR-163: Quebra de Paradigma no Transporte do Comércio Exterior aponta que a economia resultará da redução de gastos logísticos ao mudar a via de exportação do Sul e Sudeste para os portos do Norte do Brasil, uma rota mais curta e mais barata. 

 

“Para se ter uma ideia, a conclusão da estrada reduziria de três a cinco dias a viagem de navio entre o Brasil e a Europa se comparado à rota partindo de Santos (SP) ou Paranaguá (PR)”, informou a CNI, ao destacar que a viagem entre os portos das regiões Sul e Sudeste e a Europa demora em torno de 15 dias.

 

Segundo a CNI, na direção inversa, a rodovia também possibilitará que mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, como motos e eletroeletrônicos, sejam movimentadas para a Região Centro-Sul a partir de Santarém, reduzindo dois dias em relação à rota utilizada atualmente. Hoje, a produção de Manaus é transportada via barcaça até Belém e segue por 2,9 mil quilômetros por rodovia até a capital paulista.