Sábado, 04 de Novembro de 2017, 05h:52

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“LISTA SUJA”: Na relação de empregadores acusados de submeter trabalhadores em condições análogas à da escravidão, MT desponta em terceiro lugar

Redação

Mato Grosso é o terceiro Estado do país na lista divulgada pelo Ministério do Trabalho  que concentra a maior quantidade de empregadores na "lista suja", cadastro dos envolvidos em crimes de trabalho escravo no país. Mas o campeão desse “pódium” é Minas Gerais, com cerca de 32% dos nomes. Bem abaixo de Minas, vem o Pará em segundo lugar (12%) e na sequência MT, com 8,39% dos 131 casos de empregadores relacionados no Brasil.

O ranking foi divulgado na semana passada após a polêmica provocada pela edição da portaria do Ministério do Trabalho que "relaxava" as regras de fiscalização sobre empresas e patrões. A lista aponta 131 empregadores que submeteram mais de 2.000 trabalhadores a condições análogas à de escravo.

Na divisão por setores, são propriedades rurais e o agronegócio os principais, com quase 80% de presença.

A dificuldade de acesso favorece a exploração em zonas rurais, onde os trabalhadores migram em busca de empregos temporários, com a duração de uma safra.

Tal fluxo de trabalhadores, em sua maioria de baixa escolaridade, perpetua a exploração e o tráfico de pessoas para os locais de trabalho, muitas vezes bem distantes do domicílio de origem desses trabalhadores.

O perfil médio das vítimas do sexo maculino varia entre 22 e 58 anos, sem ensino fundamental completo. No fim da safra, retornam para suas casas e esperam encontrar uma nova vaga no ano seguinte.

De todas as condições precárias de trabalho nesse segmento, a mais degradante é o corte de cana, que encurta o período de vida útil das pessoas.

É raro ver homens com mais de 60 anos nas lavouras de corte de cana. Problemas pulmonares causados pela fuligem que resulta da queima da palha da cana, anterior ao corte, abreviam o tempo de atividade.

O caráter temporário dos contratos destes migrantes rurais desprotege a gestão da saúde dos trabalhadores.

A atividade da cana é extremamente insalubre e adoecedora. Quando os contratos temporários terminam, eles se distanciam da empresa. “Na safra seguinte, voltam com um novo vínculo, quando na verdade deveria ser o mesmo", afirma  a fiscal e auditoria do TrabalhoLidiane  Barros.

A reforma trabalhista, que entra em vigor no dia 11, regulamentando o trabalho intermitente, deve reduzir esse tipo de questionamento feito aos empregadores.

 

Com informações da Folha de S. Paulo

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