Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 15h:28

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PF pede prorrogação de prazo para concluir inquérito que investiga Blairo Maggi por denúncia de propina

Redação

 

Tendo em vista desdobramentos nas investigações que demandam mais tempo na apuração do caso, a Polícia Federal pediu e o ministro Luiz Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu a prorrogação do prazo para conclusão do inquérito que apura suposto recebimento de propina de R$ 12 milhões pelo ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP), na época em que era governador de Mato Grosso.

Segundo consta nos autos, o suborno teria sido pago pela empreiteira Odebrecht. O pedido foi feito pela PF no final de janeiro e concedido pelo ministro na última sexta-feira (9).

A investigação contra Blairo Maggi surgiu em abril do ano passado, após os ex-executivos da construtora Norberto Odebrecht João Antônio Pacífico Ferreira e Pedro Augusto Carneiro Leão Neto firmarem acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF), no âmbito da operação Lava Jato.

Além de Blairo, também é alvo do mesmo inquérito o deputado federal e ex-governador de Mato Grosso do Sul José Orcírio Miranda dos Santos (PT), o Zeca do PT.

Segundo os colaboradores, o pagamento de propina ocorreu durante as campanhas de reeleição de Blairo Maggi e José Orcírio ao cargo de governador de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, respectivamente, no ano de 2006.

Os dois delatores relataram ter feito os repasses de dinheiro indevido por meio do Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht. Na lista de propina, Blairo Maggi era identificado como “Caldo”.


Segundo informaram João Pacífico e Pedro Leão, a Odebrecht detinha créditos a receber do Estado, decorrentes de obras antigas da rodovia MT-010 e vinha tentando recebê-los.

A dívida era reconhecida oficialmente pelo Estado, mas até então não havia sido pagas.

A quitação desses débitos, conforme consta da delação, só ocorreu  após negociação dos executivos da empreiteira  com membros do governo, e quando foi criada uma comissão especial com o objetivo de obter repasses da União para fazer frente a esses créditos.

 

Os delatores citaram ainda o ex-secretário de Estado da Casa Civil Eder Moraes como o responsável por ter se apresentado, em nome do governo, solicitando pagamento de propina em troca dos créditos negociados.

Conforme os delatores, Eder usou alegou que se tratava de contribuição eleitoral para a campanha de reeleição de Blairo Maggi ao governo do Estado.

Na época em que surgiu a denúncia, tanto Blairo quanto Eder negaram as acusações.