Quarta-Feira, 13 de Junho de 2018, 23h:59

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Acusado de supostos casos de corrupção, engenheiro que já dirigiu o DNIT em MT é indicado por Temer para diretor-geral do órgão

Redação

 

O presidente Michel Temer encaminhou para a apreciação do Senado Federal o nome de José da Silva Tiago para o cargo de diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). 

 

A mensagem com a indicação está publicada na edição desta quarta-feira, 13, do Diário Oficial da União (DOU). José da Silva Tiago é atualmente o superintendente regional do DNIT no Estado do Paraná. Mas já dirigiu a regional do órgão em Mato Grosso à época do presidente Fernando Henrique Cardoso.

 

Agora, se tiver o nome aprovado pelos senadores, ele ocupará a vaga deixada por Valter Casimiro, que saiu do departamento para exercer o cargo de ministro dos Transportes.

 

Ainda no comando do DNIT paranaense, José Tiago foi investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Corregedoria Geral da União (CGU) por sobrepreço em obras do Contorno Norte de Maringá, na BR-376/PR. O prejuízo para o erário, segundo o TCU, foi calculado à época em  R$ 10,6 milhões. 

 

 

O órgão de fiscalização chegou a notificá-lo para explicar as dúvidas sobre o suposto sobrepreço.

 

O superintendente, entretanto, alega que as recomendações do TCU foram atendidas e que nenhum dos relatórios de fiscalização resultou em condenação. 

 

Trajetória em MT

 

Em sua passagem no comando do órgão em Mato Grosso, José Tiago virou nome de avenida na cidade de Sapezal, fundada pelo grupo André Maggi (atual Amaggi).

 

A homenagem aconteceu quando José Tiago dirigia o Dnit no Estado e comandou as obras da BR 364, que passou pelas terras dos Maggi. 

 

A avenida paralela à rodovia recebeu o nome de “Avenida Engenheiro José da Silva Tiago”. 

 

O projeto original da rodovia foi alterado para passar por Sapezal, roteiro de escoamento da produção agrícola do Grupo Amaggi para o porto de Itacoatiara, no Amazonas.

 

O  então superintendente do órgão em MT e o Grupo Amaggi sempre negaram qualquer tipo de favorecimento ilícito ou imoral, alegando que mudanças no projeto da rodovia atenderam critérios de logística de transportes de safras, encurtando distâncias e barateando o custo de fretes. 

 

OUTRO LADO

 

Segundo apurou a reportagem do Página Única junto a diversos políticos  e empresários, a indicação de José da Silva Tiago repercutiu bem.  As pessoas ouvidas, entre as quais prefeitos e parlamentares fizeram questão de destacar o conhecimento  que o engenheiro tem das necessidades do Estado em termos de infraestrutura de transportes, o que poderá ser útil para Mato Grosso em que pese ele vir assumir - caso o Senado aprove o seu nome - o DNIT, praticamente a poucos meses do fim da gestão de Michel Temer.