Sábado, 10 de Fevereiro de 2018, 07h:27

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Coronel Zaqueu vai para prisão domiciliar, mas cabo que o assessorava segue na cadeia


Redação

 

Pela maioria de 4 a 1, o Conselho de Sentença da Justiça Militar de Cuiabá, formado por quatro coronéis e um juiz civil, decidiu converter a prisão preventiva do ex-comandante-geral da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa, em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.  

Fazem 264 dias que Zaqueu está preso em unidade da PM. Já o cabo Gérson Corrêa Júnior, em decisão tomada no mesmo julgamento,  por unanimidade, continuará preso.

A decisão que culminou com a soltura de Zaqueu  Barbosa foi contra entendimento do relator do processo, o juiz Murilo Moura Mesquita, da 11ª Vara Criminal Militar, e do promotor de Justiça Alan Sidney de Souza, contrários à votação dos quatro coronéiss que fazem parte do Conselho de Sentença.

Anteriormente, por meio de vários habeas corpus, nas diversas instâncias da Justiça, Zaque tentou conseguir a liberdade, mas em vão. Pois todas as medidas foram rejeitadas, tanto no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), quanto no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e até pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O caso veio à tona em maio de 2016, quando o ex-secretário-chefe da Casa Civil Paulo Taques deixou o governo. A denúncia foi feita à Procuradoria-Geral da República pelo promotor Mauro Zaque em janeiro de 2017, um ano e um mês após ter pedido demissão do cargo de secretário da Segurança Pública.

De acordo com as investigações, uma central de interceptações telefônicas foi criada pelo alto comando da PM de Mato Grosso.

Entre as vítimas da arapongagem, que vinha desde 2014 na gestão de Silval Barbosa e continuou no primeiro ano do governo de Pedro Taques, estão os dois coordenadores jurídicos das campanhas adversárias de Taques em 2014, José do Patrocínio (campanha de Lúdio Cabral - PT) e José Antônio Rosa (campanha de Janete Riva - PSD). E também o jornalista José Marcondes, o "Muvuca", a deputada estadual Janaina Riva (PMDB) e desembargador aposentado José Ferreira Leite.

Atualmente o processo está sob investigação do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell, que solicitou ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) todos os inquéritos sobre o caso.

Campbell atendeu aos pedidos feitos pelo governador Pedro Taques (PSDB) e pelo Ministério Público Federal (MPF). Ao impor o sigilo, o ministro argumentou ser um ato necessário para "preservar a atual fase da investigação".