Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 23h:00

Tamanho do texto A - A+

REELEIÇÃO: Desafio de Pedro Taques é aplacar descontentamento de aliados políticos, além de superar uma oposição “raivosa”

Sidnei Pretto

Na concepção de observadores não vinculados a partidos e com os quais temos conversados, que analisam o  cenário eleitoral com um mínimo de independência quanto a interesses grupais, o governador Pedro Taques (PSDB) é favorito para vencer as eleições em outubro deste ano para o Governo do Estado, caso se decida disputar a reeleição .

Mas, o seu ponto fraco ainda reside na articulação política, considerando que o governador, embora esteja agradando setores laborais e grande parte do empresariado - ou seja, quem  produz riquezas e gera renda e impostos -, reconhecimento este que ele colhe por fazer uma gestão austera e de reconstrução do Estado, Taques enfrenta resistência junto a largos setores da classe política. E não apenas da oposição, como seria lógico e de se esperar, de adversários que ele derrotou nas últimas eleições, mas, o que é pior,  ele é alvo do chamado “fogo amigo” de uma grande parcela de aliados que fizeram parte do conjunto de partidos que deu suporte para sua eleição em 2014.

O autor desta avaliação, que assina a presente análise,  não é “expert”  em política e partidos, não possui militância nessa área, pois seu foco é o setor empresarial onde trabalha há 30 anos.

Nem por isso, é “cego” ao ponto de não entender que muito da insatisfação que  existe com relação ao governador deriva do fato que ele assumiu o comando do Estado, coincidentemente, no auge de uma crise jamais vista em Mato Grosso e no país e, com referência ao Estado, pegou os cofres públicos sucateados, além de que “herdou” de seu antecessor uma série de “armadilhas “ que incharam as despesas do tesouro, a exemplo de aumentos e reposições para diversas carreiras do funcionalismo público, elevando os custos da folha, além de outras que diminuiram receitas extras, como no caso do Fethab, que passou a compartilhar com as prefeituras .

Essa conjugação de fatores negativos embaraçaram o início da gestão, o que levou inclusive as pessoas comuns a se decepcionar com o governo por não estar correspondendo com as expectativas imediatas de mudanças geradas pela eleição de Taques.

A má condução política do RGA (reposição salarial) contrbuiu - e muito - para aumentar os desgastes do governo, que só agora começa a sair dessa pauta indigesta.

A nosso ver, Taques tembém vem enfrentando as consequências das medidas de ajustes e correções na gestão do Estado, como o estancamento de “ralos” que drenavam recursos públicos através da corrupção que havia se institucionalizado no Estado – providências duras que geraram revolta em pessoas e grupos infuentes, com fortes inserções na mídia e no aparelho de Estado como um todo, e que “mamavam” nas tetas públicas.

Esses grupos de “desmamados” se aproveitaram do descontentamento de outros setores, insatifeitos por outras razões, como a de não terem eventuais pleitos, pessoais ou corporativos, atendidos de imediato pelo governador, e iniciaram uma campanha, que persiste até agora, de desestabilização do governante e sua gestão.

 

Não estamos aqui para dar conselhos a Pedro Taques (e a ninguém) sobre como vencer "gargalos" que estão surgindo, segundo se lê na Imprensa, para ele manter em seu arco de alianças antigos correligionários, que ensaiam partir para novos projetos. Na vida empresarial, o mercado nos ensina, quando isso acontece, buscar novos parceiros. Essa substituição é natural e o mesmo pode ocorrer na atividade política. Afinal, não se pode obrigar quem não quer a andar com a gente - até porque costuma ficar caro - e, além do mais, não há de faltar novas forças e líderes para acompanhar Pedro Taques. A política é dinâmica e a fila anda!



Superar esses entraves é o grande desafio  - mais de ordem política e partidária - de Pedro Taques neste 2018 que se inicia, tendo em vista que a base para o desenvolvimento econômico e a superação da crise já foram estabelecidas nestes três primeiros anos dífíceis de sua administração, cuja maior marca foi a de ruptura com um modelo saqueador de Mato Grosso.

Que, se deixou saudades, foi apenas naqueles que se beneficiaram de benesses oficiais escandalosas e que teimam em voltar, através de novas “roupagens”.

Fique esperto, Mato Grosso!

*Sidnei Pretto é empresário