Quarta-Feira, 11 de Outubro de 2017, 19h:31

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DECISÃO DE PERRI: Cabo que operacionalizava “grampos” ilegais volta a ter prisão decretada


Redação

O cabo Gérson Luiz Correia Junior, da Polícia Militar, teve uma nova prisão decretada pelo desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

O militar é acusado de obstrução da Justiça por ocultar o equipamento do sistema “Sentinela”, utilizado para a prática de grampos ilegais no Estado.

Gérson Correia estava detido desde maio deste ano acusado de ser o principal operador do esquema de escutas clandestinas em Mato Grosso, junto com o ex-comandante-geral da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa.

Ainda nesta quarta-feira, ele será apresentado ao juiz da 11ª Vara Criminal de Cuiabá para passar por audiência de custódia.

O PM seguirá cumprindo prisão preventiva no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC).

A informação de que Gérson está com o equipamento Wytron partiu do empresário José Marilson da Silva, preso na “Operação Esdras” deflagrada em 27 de setembro deste ano, e confirmada por uma testemunha.

Marilson foi o responsável por retirar o equipamento e, inicialmente a suspeita era de que estava com ele.

O empresário, no entanto, confirmou, em depoimento aos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Stringuetta, que o sistema foi repassado para o cabo Gerson Correia.

“Ao ser inquirido pela autoridade policial, após sua prisão, o suspeito José Marilson da Silva afirmou que o equipamento foi retirado pelo Cb. PM Gerson Correa, informação esta que foi confirmada pela testemunha Henrique Siqueira. Ambos declararam que o equipamento Sentinela foi retirado da empresa Titânia e entregue nas mãos do PM Gerson”, diz trecho da decisão.

Orlando Perri destacou ainda o papel de Gérson Correia na organização criminosa.

“Há, ainda, a fundada suspeita de que a participação do Cb. PM Gerson Correa foi relevante – para não se dizer relevantíssima – para o sucesso obtido pela provável organização criminosa para realização de escutas ilegais no Estado de Mato Grosso”, pontua.

O desembargador destacou o conhecimento técnico de Gerson Correia em relação a escutas telefônicas. Ele considerou que o cabo foi de fundamental importância para consolidar o clandestino grupo de “inteligência” da PM.

“Há notícia nos autos dando conta de que, se a ideia de criação do grupo criminoso partiu do Cel. PM Zaqueu Barbosa, o sucesso somente foi possível devido ao empenho demonstrado pelo Cb. PM Gerson Correa, responsável por operacionalizar, orientar, instruir os demais policiais que receberam o encargo de ouvir os áudios, enfim, de administrar o Sistema Sentinela”.

O cabo ainda era o responsável por elaborar os relatórios que subsidiavam os pedidos de escutas telefônicas, que eram feitos por Zaqueu Barbosa para justificarem a prática da “barriga de aluguel”.

Utilizando de fraudes nos pedidos de escutas,  sabe-se que nas comarcas de Cáceres e Sinop foram proferidas decisões que liberaram grampos nos aparelhos telefônicos de políticos, jornalistas, advogados e médicos.

“Sua participação foi, indubitavelmente, de protagonista no grupo criminoso, e não de mero coadjuvante”

O desembargador determinou ainda busca e apreensão na residência do policial militar.

Entre os itens apreendidos estão celulares, documentos e HDs de computadores que forem encontrados na residência.

"Estão autorizados, ainda, a apreender todo e qualquer material utilizado para espionagem, para serviço de inteligência, em especial de captação de áudio e imagens [óculos, chaveiros, canetas, broches, etc.] ou utilizados para interceptações telefônicas, em especial, as placas dos Sistemas Wytron e Sentinela".

Com a finalidade de encontrar elementos que possam esclarecer as investigações, Perri determinou também a coleta de mensagens nos aparelhos telefônicos do cabo da Polícia Militar